Sobre fotos, família e analógicas

Não há uma única criatura nesse mundo que esteja satisfeita consigo mesma, vocês não acham? Vou falar de uma daquelas coisas legais que a gente morre de vontade de ser ou de fazer, mas que insistimos em ficar deixando para depois porque, ah, sei lá o porquê… Talvez porque acreditemos que ainda há muito tempo pela frente, embora nossa ladainha seja justamente reclamar da falta que ele nos faz e da correria da vida. Humanos, vai entender!

A fotografia é, para mim, uma dessas paixõezinhas guardadas. Eu morro de vontade de aprender a configurar manualmente os equipamentos, ajustar abertura, tempo de exposição, escolher a melhor luz e a lente mais adequada… É claro que fotografia não é feita só da parte técnica, então, aprendizado sobre artes visuais e sobre composição também entram nessa história…

Fora o fatídico “não tenho tempo”, uma desculpa bem óbvia é o custo dessa brincadeira. Qual é o preço de uma câmera que permita um bom controle do fotógrafo?, e das lentes para encaixar nesse corpo?, e dos cartões de memória decentes de que a gente vai precisar?, fora a bateria extra, o seguro do equipamento todo e os milhares de estojos e bolsinhas para proteger essas coisas…

CameraBagCloseup.001-001

É por isso que, enquanto não dá para ter esse luxo nas mãos, me divirto com a fotografia de outros jeitos. Gosto de ler blogs sobre o assunto, acompanho o trabalho de amigos, colegas e também de fotógrafos que não conheço, fico espreitando fóruns e, claro!, me viro com a câmera que tenho, uma compacta da Sony.

Nessas andanças virtuais, me dei conta de que muitas pessoas ainda se amarram na fotografia analógica. E esses entusiastas não são velhinhos nostálgicos, é gente de todo tipo! (Vejam este post do Queimando Filme, por exemplo.) Mas, inevitavelmente, coisas mais antigas nos fazem pensar em nossos avós, nossos pais e até na época em que nós éramos crianças.

Nessa época, meu pai me fotografava com uma Olympus Trip 35:

Quase vinte anos depois do dia da foto, na casa dos meus pais, resolvi descobrir o paradeiro da câmera que produziu essa e outras imagens. Perguntei; minha mãe desdenhou com um impactante “ihh, foi pro lixo há anos!” e meu pai lançou “A Trip? No lixo? É ruim, hein! Está guardada.” Fiquei tensa, imaginando que o divórcio – cujo estopim seria a descoberta de que mamãe jogou a câmera de estimação de papai no lixo – seria culpa minha.

Felizmente, a Trip estava lá, dentro de algum armário, do lado da prima, uma Olympus Pen. Depois de tantos anos, conservando todo o charme:

DSC05777

Na minha cabeça, a imagem do papai segurando essa câmera, flash acoplado, e eu sorrindo, bancando a diva infantil. Ele também ficou todo bobo, relembrando mil coisas, com certeza. Ainda mais quando achamos a SIX-20 Brownie C (1946-53), que tinha sido do pai dele (o avô que eu não cheguei a conhecer).

Não citei nenhuma máquina profissional nesse post: minha Sony Cyber-shot, as duas Olympus, a Brownie, são todas máquinas de uso pessoal, feitas para famílias e amigos. Mesmo assim, vejam o poder que elas têm! Só quem nunca fuçou fotografias antigas pode não saber do que estou falando. (Lá em casa temos uma caixa enorme, com vários álbuns, mais ou menos organizados pela minha mãe com datas e indicações de lugares.)

É claro que a fotografia se estende por um horizonte muito mais amplo que a rotina familiar – é só a gente pensar no seu caráter artístico, jornalístico, documental etc. Só que hoje estou nostálgica, prestando muito mais atenção na capacidade que as imagens têm de guardar e de evocar emoções…

Bom, resta contar para vocês o que aconteceu depois que reencontramos as câmeras: eu ganhei todas de presente, afinal, era meu aniversário! Testei os mecanismos sem filme mesmo: o que precisava girar, girava; a Trip fazia um barulho lindo quando disparava e, quando o fotômetro verificava que as condições de luz estavam inadequadas, aparecia a lingueta vermelha. Claro que meu pai teve que me explicar esse lance da lingueta; eu ainda estava muito embasbacada com o fato de que não tinha nenhuma aberturazinha para pilhas ou bateria!

DSC05780

Fiquei super contente com o fato de que vou poder usar a Trip para me divertir com a fotografia de mais um jeito diferente; é curioso que a novidade seja justamente aprender como funciona uma coisa antiga… Sorte que tenho meu pai e o manual da câmera para dar uma forcinha, fora essa maravilha que é a internet (consegui achar com facilidade até o manual da Brownie!).

Se mais alguém se animou com a ideia de brincar um pouco com fotografia analógica, não é difícil encontrar uma câmera Olympus Trip 35 em bom estado de funcionamento, pelo que eu andei lendo nos fóruns, e ela também não é cara (isso se você não tiver nenhuma guardada em casa). A dica importante é fazer o teste do fotômetro antes de comprar (deixando a câmera no modo “auto”, a lingueta vermelha precisa aparecer no visor se o ambiente estiver escuro; se a câmera disparar mesmo com a tampinha na lente, por exemplo, significa que o fotômetro não está legal).

O maior problema talvez seja conseguir bons locais para revelar os filmes (mas aqui no Rio, essa loja na Glória foi bem recomendada nos fóruns). De qualquer forma, ainda que existam algumas dificuldades pela própria redução do mercado de analógicas, eu acredito que essa experiência vale muito a pena! Imagina, gente, voltar a esperar o filme ser revelado para saber se a foto ficou boa! Prometo que faço um relato para vocês depois.

Sinal de vida!

O blog seguia num ritmo de postagens tão bom e, de repente, sumi! Peço desculpas pelo hiato mais ou menos forçado graças ao final de semestre e a algumas outras coisinhas…, mas estou de volta!

Já estou preparando dois novos textos, e prometo que irão ao ar até o dia 31. Enquanto isso, deixo vocês com uma música que combina super bem com o propósito deste post curtinho.

Antes, contudo, preciso fazer algumas observações: eu juro que não queria colocar um vídeo manjado (leia-se um vídeo “oficial” do canal do artista no Vevo) mas, depois de olhar 30 páginas de resultados de busca no Youtube, perdi as esperanças.

É claro que havia pessoas de talento fazendo cover; mas a maioria dos resultados eram vídeos meio cafonas de imagens “bonitinhas”, versões para karaokê (com imagens mais estranhas ainda), cover ruim e por aí vai…

Os que ganharam o meu afeto, apesar de tudo, foram a versão instrumental com esse coala estático (por que um coala?!) e essas senhorinhas simpáticas ensaiando line dance.

Centro – Feira da Praça XV [rio bairro a bairro]

Por um triz o mês de fevereiro não fica sem o seu post rio bairro a bairro! Só preciso fazer uma observação importante: o Centro da cidade é enorme e interessantíssimo, com todos os seus contrastes e pontos turísticos e culturais… por isso, vai merecer mais de um post.

Desta vez, vou falar só de um pedacinho do Centro. Na verdade, acaba sendo um pedacinho grande, porque lá cabem muitas coisas: a Feira de Antiguidades da Praça XV de Novembro.

A ideia para esse post veio da sala de aula: eu precisava fazer um trabalho para a disciplina de Antropologia do Direito e tinha que escolher um espaço para observar. Cogitei delegacias, juizados, fórum… Mas a atração pelo clima e pelas bugigangas dessa feira falou mais alto. Até agora, já fui passear por lá com atenção maior do que a habitual por uns três sábados e o encanto só aumenta.

Eu levei a máquina fotográfica no dia em que conversei com as pessoas mas…, não sei o que me deu! Fiquei muito envergonhada: não sei se foi porque estava fazendo perguntas que eu já tinha estipulado antes, não sei se fiquei nervosa por ter que redigir um relatório depois, se foi a opressão de algumas plaquinhas de “não fotografe”, se foi porque não vi mais ninguém fotografando… A triste situação é que não me senti à vontade para tirar minhas próprias fotos e resolvi me concentrar em observar e conversar com as pessoas.

As fotos deste post e suas legendas, portanto, não são minhas. Foram retiradas de um post super interessante do Blog do Barão Lhkz. Para ver mais fotos e ter outra opinião sobre a Feira, vale acessar o link!

Imagem retirada do Blog do Barão Lhkz

A Feira acontece todos os sábados, começa bem cedinho, a partir das 6h, e segue até 14h, 15h, depende um pouco do movimento do dia. A recomendação dos vendedores com quem conversei é ir bem cedo; quando eu estava lá por volta das 7h30, uma das expositoras disse que eu estava certa de “madrugar” porque no início da feira dá para encontrar mais variedade e melhores produtos.

Chegar lá é super fácil: de metrô, é só descer na estação Carioca e caminhar uns dez ou quinze minutinhos até a Praça XV, em direção à Estação das Barcas; a Feira acontece sob o Elevado da Perimetral. Quem sai de Niterói, portanto, está bem servido: saiu da barca, está na feira. Com os planos de derrubada da Perimetral, em prol da revitalização da Zona Portuária do Rio, os boatos que ouvi dos vendedores dizem que a feira vai ser deslocada para os espaços em volta, mas que não vai sair da Praça XV. Não temos certeza ainda, é claro, mas recomendo o seguinte: visitem logo para aproveitar o “teto” da perimetral enquanto ele está lá fazendo sombra ou, no futuro, deixem o passeio para dias amenos.

Não posso deixar de fazer uma observação de cunho social, digamos assim. A Feira tem duas “caras”. Na parte que fica mais perto das Barcas, do Paço Imperial, há barracas mais organizadas, vendedores especializados, colecionadores, objetos caros, turistas, pessoas bem vestidas passeando e comprando. Quando você se afasta desse lado e segue caminhando em direção à Praça Marechal Âncora, os objetos, barracas e vendedores vão se transformando: somos tentados a deixar de ver antiguidades para ver coisas velhas, há expositores com produtos no chão, alguns moradores de rua, nenhum colecionador; mas há livros, há objetos que ainda podem ser aproveitados e preços mais baixos.

Imagem retirada do Blog do Barão Lhkz

A maioria dos vendedores e dos frequentadores são, sim, velhinhos nostálgicos. Há exceções e grande variedade de pessoas, é claro, mas é inegável que todas aquelas coisas que estão à mostra são convites a resgatar memórias, lembrar de pessoas, fatos, outras épocas da vida… E isso, claro, vale até para os mais novos: eu só tenho 23 anos e dei de cara com brinquedos que fizeram meus olhinhos brilharem de novo (Genius da Estrela, Pense Bem… mais alguém lembra?).

E tem todas aquelas coisas com aquele estilão retrô, mas que são antigas de verdade… Dá para pensar em redecorar sua casa praticamente a cada barraca. E, sério, se você estiver se mudando agora, vá ver os móveis à venda. Pode ser que precisem de reformas ou ajustes, mas com certeza dá para fazer achados incríveis nessa área também.

Para aficionados por papel assim como eu, há fotografias antigas, selos (em barracas super organizadas e especializadas), uma barraca inteira só de recortes de revistas com anúncios publicitários que me pareciam ser dos anos 50…

Imagem retirada do Blog do Barão Lhkz

É impossível enumerar as coisas que você encontra nessa Feira porque lá tem de tudo, de tudo mesmo. Os objetos chegam às mãos dos vendedores das maneiras mais diversas (alguns garimpam os objetos que irão revender, outros são procurados por conhecidos que querem se desfazer de objetos que não usam mais, há aqueles que já estão no ramo a mais tempo e têm lojas…) e são centenas de barracas.

Eu já vi artigos de dentistas, prataria, livros e mais livros, máquinas fotográficas analógicas, lentes, facas, porcelanas, artigos de futebol, artigos militares, brinquedos, objetos de decoração, móveis, rádios antigos, itens de pesca, roupas, sapatos… Algumas barracas são super organizadas (já vi uma com duas maletas escuras, fechadas, com uma plaquinha “destinado a maiores de 18 anos”), outras são um caos.

Por mais que eu fale e descreva, e vocês vejam as fotos do Barão Lhkz, não tem jeito: o ideal é fazer uma visita e sentir o clima do lugar. Sei que não é possível para todo mundo, então, escolhi esse vídeo do Youtube, para tentar deixar tudo um pouco mais dinâmico, como é a Feira de Antiguidades da Praça XV. =)

Direito e alguns blogs

Chega a ser um pouco engraçado: mal entrei na faculdade de Direito e algumas pessoas já vieram me procurar, tentando tirar dúvidas e receber orientação jurídica. É claro que não ajudo em nada; estou no segundo período e realmente não tenho conhecimento suficiente para isso ainda. Não é má vontade; enquanto estamos estudando, todos os problemas que chegam até nós são interessantes e representam uma oportunidade a mais para aprender alguma coisa diferente.

Pensando nessas situações, percebi que seria inevitável o contato do Direito com o blog. Quando eu descobrir coisas interessantes, úteis para as nossas vidas e que possam nos tornar mais conscientes de nossos direitos, vou postar aqui. Acho que é um caminho, ainda que singelo, para devolver à sociedade um pouquinho daquilo que ela investe nos meus estudos, afinal sou aluna de uma universidade pública.

Por enquanto, já que não tenho bagagem suficiente para deixar vocês com meus próprios posts, indico links interessantes e que até já aparecem na listinha aqui ao lado:

Para entender Direito 
Comentários acerca dos aspectos jurídicos presentes em notícias veiculadas no jornal Folha de S. Paulo. Os posts não são voltados para especialistas; são muito interessantes para o público em geral e tornam mais clara a compreensão não só das questões jurídicas, mas do contexto daquele acontecimento também, afinal o Direito está presente em toda a vida em sociedade.

Direito é legal
Um blog super rico! Explicações, observações e comentários sobre diversas questões jurídicas, envolvendo diferentes assuntos. A autora combina a postagem sobre Direito com algumas considerações pessoais, depoimentos sobre a vida nos escritórios de advocacia e reflexões em geral.

Annas em família
Posts relacionados a questões do direito de família, escritos por duas advogadas (as Annas do título) que trabalham juntas. O público também não é de especialistas: as questões jurídicas envolvendo a família são discussões super relvantes e os textos são acessíveis para quem se interessa pelo tema.

Pensando em uma abordagem temática, já que o Carnaval acabou ontem… Vejam este link do Superior Tribunal de Justiça – STJ (neste caso, o texto é um pouco mais técnico).